Antropologia Cidades planejamento urbano Política Brasileira Roberto da Matta Teoria Sociológica
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“Não sei se sou autoritário. Durante as filmagens, sou decerto uma pessoa diferente, sem tempo para delicadezas. Mas será que, numa operação, o cirurgião diz: ‘poderia me passar o bisturi, por favor? Muito obrigado‘. Claro que não. Ele só diz: ‘bisturi!’ “
R. Polanski
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Lá se vão quase dez anos em que li Domenico de Masi pela primeira vez. Sua teoria do “Tempo Livre” chamou-me atenção de imediato. Eu, aluno iniciante do curso de Ciências Sociais, da Federal do Amazonas, via naquela sociologia do trabalho algo mais que uma teoria do trabalho. Na verdade o que De Masi fala é sobre o sujeito contemporâneo e seus impasses.
A partir da leitura de O Ócio Criativo podemos identificar o impasse desse sujeito contemporâneo ao criar algo, formas de relações sociais, para logo depois ser consumido por sua criatura. Pois o homem moderno cria a modernidade para em seguida se consumido por ela. Sim, o livro é mais que um tratado de sociologia do trabalho, como já falei. Fala sobre a velocidade com a qual o homem moderno constrói seu existir. Uma velocidade que lhe rouba sua própria essência enquanto humano.
Lembremos que o humano se fez humano na medida em que se sociabilizou. Uniu-se a outros seres de mesma espécie para lutar contra a força da natureza e melhor dominar o seu ambiente. Porém, na medida em que esse “humano” constrói sistemas que lhes melhoram e facilitam a vida, esses mesmos sistemas lhes afastam dos outros seres. Donde surge a pergunta, ou quase consequência lógica: será que está esse humano se desumanizando?
Por hora, não quero misturar esse raiz de pensamento com o niilismo Nietzschiano, em que nos fica bem claro o preço que o homem paga por ter se tornado “humano”, por ter traído a sua condição naturante e se voltado contra a natureza. Afinal para Nietzsche o grande mal do homem é ser humano, demasiado humano.
Porém, ao irromper neste caminho, o que me chama àtenção é essa desumanificação do homem contemporâneo (”pós-moderno”, como diria Lyotard). O tipo de sociedade que esse humano construiu, a cada dia o afasta mais de si mesmo e do Outro como referência. E na tentativa de suprir sua falta existencial com a objetividade das coisas, deixa de lado a subjetividade das relações sociais. É muita parafernália, muito “combo”, muitos canais de TV à cabo, muita TV digital, etc. Muitas coisas superficiais para lhe ocupar o tempo. Um tempo livre que, voltando à De Masi, poderia ser aplicado em criatividade e afetividade.
Para o sociólogo italiano um dos grandes paradoxos da vida moderna é que somos educados, desde crianças, a uma vida estritamente voltado ao trabalho, esse trabalho asfixiante, de certa forma ainda industrial, ou no máximo pós-industrial. Passamos a vida inteira em escolas, colégios e faculdades que nos ensinam a apertar parafusos e nos mantermos dentro da caixa de possibilidades. Um trabalho ainda alienado, se pensarmos em Marx. Mas a verdade é que não somos educados para vivenciarmos a maior parte de nossas vidas, educados para o maior tempo que dispomos, para o nosso “tempo livre”.
Em um mundo em que cada vez mais o trabalho e as atividades de massa são robotizadas, e supridas através da tecnologia, o que fará o homem com o seu tempo livre, se não foi para isso educado? Como modificar formas-de-estar-no-mundo se nosso referencial ainda é o trabalho alienado, se vivemos imersos num corre-corre que nos tira o tempo livre? Como re-construir uma sociedade politizada, e politizante, se esta está imersa na alienação tecnológica e tecnocrática?
Como disse, é muita parafernália.
Abraços,
D.
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No meio do peito, atrás do esterno e colada ao coração, bem no local onde apontamos quando falamos “eu”, existe uma glândula de importância vital para os seres humanos: a glândula timo. Nome de origem grega, thymus significa energia vital. A glândula era até pouco tempo negligenciada pela medicina. Desconhecida por muitos, tem características de crescer quando estamos contentes, e murchar quando estressados, e mais ainda quando adoecemos. Por sempre ter sido estudada em autópsias era encontrada em tamanho bem diminuto, fazendo a medicina de décadas passadas supor que a glândula atrofiava na adolescência.
Mas por entre tantas funções, destaco aqui uma em especial: a glândula timo é responsável pelo registro genético de nossas células, sendo um dos pilares de nosso sistema imunológico. É nela que se produz a “célula T”. A célula ao passar pelo timo recebe nosso registro de identidade genética. De posse desse registro a “célula T” assume a missão de identificar “corpos estranhos” no organismo, invasores, vírus, etc. Então, ao encontrá-los, argui-los e, se for o caso, acionar os mecanismos de defesa do organismo contra aquele invasor.
Acontece que, mais importante é o fato de ser a célula T responsável por nossa, digamos que, “evolução” biológica. Ao que pese o viés biologicista, não muito a mim peculiar, o exemplo aqui é salutar, pois, o que vem a ser um “corpo estranho”, um “invasor” em um sistema, senão algo que nos força a mudanças?
Imaginem vocês agora um diálogo entre uma célula T e um “invasor”. A célula T, de posse da identidade genética do indivíduo, diz: “Auto, quem é você? Você não é um dos nossos! Retire-se ou chamarei os leucócitos”. Eis que “o invasor” responde: “Calma companheira! Não sou um simples invasor. Sou um mensageiro. E vim lhes dizer que o mundo lá fora é diferente. Se vocês não se adaptarem, morrerão”.
Pronto! Está posta a evolução biológica do ser humano – um simples caso de adaptabilidade ao meio. A verdade é que não são [só] os “mais fortes que sobrevivem”, mas sim os “mais aptos”. Adaptar-se é a regra número um dos seres humanos.
Escrevo isto ao acabar de rever um programa televisivo da ManagemenTV sobre a empresa de consultoria Thymus Branding - consultoria estratégica, e também empolgado com a leitura do livro recém adquirido “A Estratégia de Barack Obama”, em que os autores detalham pontos da estratégia vitoriosa de Campanha Eleitoral à presidência de Obama. E ao ler e ter contato com este tipo de material, cada vez mais tenho a convicção de que a política está mudando. Aliás, já mudou! A eleição de Obama é marco divisor. Isto é fato! Política é algo profissional, cada vez mais profissional. A cada dia que passa tem um livro novo a ser lido, uma análise a ser feita, uma estratégia a ser lançada, metas, planejamento, internet, interatividade, webTV, etc. Tudo, exatamente tudo em política esta sendo profissionalizado. A política velha está cheia de “corpos estranhos”. E quem não se adaptar, ficará para trás.
Penso ser chegada a hora dos partidos políticos, e demais instituições políticas, colocarem sua glândula timo pra funcionar, e reconhcerem como o “meio externo” mudou, como a sociedade mudou – para mudarem junto, adaptarem-se, tornarem-se definitivamente “aptos”, pois que “só os mais aptos sobrevivem”.
Abraços,
D.
Definitivamente Natal é época de nos tornarmos mais humanos. Porém, com avelocidade das metrópolis, o caos urbano e o trânsito infernal, em pouco tempo veremos mais e mais notícias em jornais sobre violência urbana, violência no trânsito, óbitos por discussões banais e coisas do tipo. A uma semana do Natal, vejo que o espírito natalino não se faz tão forte como outrora.
O Centro da cidade de Manaus, e imagino que das demais grandes cidades do mundo – Manaus tem quase 2 milhões de habitantes – está insuportável, intransitável, à pé ou de carro. Uma área verdadeiramente inóspita. À pé esbarramos em uma multidão de pessoas que dividem as margens das ruas com os carros estacionados. Sim, as margens das ruas, pois as calçadas estão tomadas de ambulantes. É ambulante na calçada, no meio-fio, pendurado em poste, até em árvore se bobear tem uma barraquinha com aquela voz ao fundo “meu patrão, meu patrão”.
Hoje cheguei a ver o cúmulo de uma senhora que montou uma espécie de restaurante em plena calçada da av. Eduardo Ribeiro, na lateral do prédio da Caixa Econômica. Barraca armada, de aproximadamente uns cinco metros ao longo da calçada, guloseimas expostas a todo tipo de poeira. Enfim, aquela senhora tem direito a trabalhar. Sim concordo, masnão naquele subemprego, não daquela forma, ela merece mais respeito e oportunidades.
Já nas ruas, é o já sabido. Trânsito infernal! Cem metros em cinqüenta minutos é lucro. Usain Bolt faz cem metros em 9,58 segundos, detalhe. Vai Daniel, vai correndo então! Carro, carro, e mais carros. Meu deus de onde saiu tanto carro? E como se não bastasse a imensa frota de veículos nas ruas, alguma mente brilhante da Prefeitura de Manaus – alguém decerto desconhecido pois, o prefeito está na COP15 e o vice prefeito acaba de sair da prisão – inventou de colocar equipes tapa-buracos nas ruas! Tudo isso em plena semana do Natal e às cinco/seis horas da tarde. Como diria Gérson, o canhotinha de ouro: é brincadeeira!
Pensa que acabou? E o que falar da CIGÁS cavando e rasgando artérias principais de Manaus pra cumprir um contrato às pressas, e pra lá de suspeito? E o Governador do estado também na COP15.
Enfim, numa cidade desgovernada, num estado terra-de-ninguém nos resta abrirmos os olhos para o ano que se avizinha. Falta em Manaus um Plano Diretor que funcione. Faltam Políticas Públicas que revejam planejamento urbano e empregabilidade pr’aquela massa de pessoas que se acotovelam vendendo suas bugigangas, pra dali tirarem o seu sustento. Falta uma alternativa quanto ao sistema de transporte urbano. Falta modernidade e visão de futuro, eis a nossa Manaus.
De todo esse fim de tarde maravilhoso que tive fico a pensar aqui: vou comprar uma bicicleta! Sim. Da próxima epopéia irei ao Centro da cidade sem me perder em meio ao trânsito, usarei um meio de transporte pessoalmente saudável e ecologicamente correto, e ainda estarei garantindo empregabilidade em nosso pólo de duas rodas do Pólo Industrial de Manaus a quem sabe, muitos daqueles ambulantes, e quiça àquela senhora do restaurante de calçada. Sim, o uso de ciclovias e o investimento em meio alternativo de transporte – que é realidade em boa parte das grandes cidades do mundo – pode ajudar a diminuir o caos urbano e a dar emprego digno a muita gente.
É isso! Planejamento urbano com aproveitamento de bicicletas e ciclovias.
Abraços,
D.

Participei agora pela tarde (17/dez) de Conferência on line do Projeto “E Agora Brasil?” promovido pelo Instituto Teotônio Vilela. Com tema ”Política, Futebol e Carnaval”, os conferencistas foram o sociólogo Alberto Almeida e o antropólogo Roberto da Matta, apresentados pelo Deputado Federal Luiz Paulo Vellozo Lucas, Presidente do ITV.
Interessantes observações dos conferencistas nos levam a pensar em como resolver o nó em que o Brasil insiste em não saber desatar: seu sistema político é aristocrático.
Nascido como país colônia, somos resultado diretos de circunstâncias e imposições imperialistas da antiga corôa portuguesa. Nossa história social e subjetividade coletiva certamente sofrem com esse referêncial. Para o antropólogo Roberto da Matta, a situação atual da política brasileira é fruto de um sistema constituído a partir da “personalização” do papel político. “A política é personalizada”, afirma DaMatta. Os partidos políticos tornam-se instrumentos fisiológicos para poucos atuarem em função de outros poucos. Personalizando o papel coletivo em torno de si, os atuais políticos reconstróem perenemente relações coloniais, em que a sociedade fôra criada para servir ao Estado, e não o contrário.
Para DaMatta, a personalização do ente público propicia uma certa capacidade de ”dramatização” por pate de certos políticos do enredo do povo brasileiro. O que é prejudicial à democracia e à participação efetivamente coletiva em política. Quando um sujeito aprende, e bem “dramatiza” os anseios de uma coletividade em torno de sua persona, o coletivo perde. Surge a figura do salvador e a política passa a ser vivida como um ciclone, onde tudo gira em torno desta persona. Cria-se um ciclo mortal à democracia em que os que estão ao redor nada fazem para contrariar o rei, e em muitos casos ocorre o inverso pernicioso em que tudo fazem para agradá-lo.
A solução, segundo DaMatta é “a reconstrução do espaço público”, criar instituições e fortalecer a democracia. “Os políticos precisam aprender a ouvir mais a sociedade. Tem muita gente repensando o Brasil” conclui o antropólogo.
Amigos, iniciamos aqui uma nova etapa em nossa caminhada. Recomeçar é preciso. Recomeçamos a cada novo dia que nasce, recomeçamos a cada novo respirar, a cada passo, a cada segundo. Nossa vida é cheia de recomeços. Nos cabe apenas o bem saber identificá-los. Recomeçar não é, como muitos passam pensar, sinal de que algo estava errado. Sinal de que mudanças ocorreram em função de um insucesso. É sim um processo, uma caminhada natural. E quando planejado, é sinal de que é fruto de avaliações e de planejamento. Sim, palavra melhor não poderia encontrar para expressar o sentido desse “recomeçar” que aqui apresento a vocês: planejamento.
Na caminhada que nos troxe até aqui, ficou a mim evidente que e escolha fora certa. Adentrar ao mundo da comunicação ‘virtual’ foi a forma mais correta de investir meus tempo e conhecimentos. Há exatos oito meses iniciava um blog, em outra plataforma, como forma de expressão e de aumentar círculos, profissionais inclusive. Blog modesto, porém construído com objetividade, dedicação e perseverança. À época, voltava de uma viagem a Brasília. Havia chegado à conclusão que o mundo estava mudando rápido demais para ser notado em suas particularidades. Era preciso olhos de lince para compreender as mudanças. Em bem pouco tempo o profissional que não estivesse na rede, seria engolido pela modernidade. Deixado pra trás como coisa ultrapassada. Conclusão imediata.
Enfim, mergulhei em pesquisas na internet, passei a adquirir uma boa bibliografia em Marketing Digital e a interagir com pessoas da área. O blog foi sendo erguido. Pedra a pedra, Tijolo a tijolo. Hoje me orgulho de tê-lo construído com próprio esforço. Com trabalho exaustivo de pesquisa e leitura. Com noites e noites em claro, porém vivo para a modernidade. Foram no mínimo três meses até que o blog ficasse com a apresentação, que até então era, definitiva. Blog na rede, artigos na ponta do lápis, idéias pulsando. Tudo enfim parecia estar terminado. Errado. Era preciso mais, pois inovar é a capacidade de superar limites. Sempre. Era preciso ir além dos limites estabelecidos e já superados. O profissionalismo em política é minha obsessão. Orgulho-me disso.
Então, exatos oito meses após o projeto inicial, após o primeiro contato com o, até então, desconhecido campo da programação, apresento a nova versão de Daniellsantana.com. Não mais em blogspot, migramos para outra plataforma. É necessário melhor encorparmos nossos pensamentos, transformando-os em ferramentas práticas para o que venho a chamar de “Política de Competição”. O mercado não está pra brincadeira. É preciso ser exigente primeiramente consigo mesmo. Um blog é uma criança que engatinha, anda e um dia aprende a correr. É uma criança sem limtes para o crescimento, para uma melhor relação com o mundo. E em se tratando de Política, ora, não dá pra ficar brincado de engatinhar quando Obama’08 nos escancarou o poder das redes sociais. Nos mostrou o quanto é bom voar. Em política não há mais espaços para amadorismos. Blog na rede e evoluído. Ainda em fase de testes, é verdade. Ainda com arestas a serem aparadas, também é verdade. Mas sempre fruto do mesmo espírito empreendendor e da mesma inquietação que me são peculiares. O blog está no ar.
Sintam-se todos convidados a participarem deste espaço de discussão, fiquem à vontade e, sintam-se em casa. “Daniellsantana.com” por que inovação é superar limites.
Abraços,
D.


Livro inicialmente voltado para a àrea de marketing empresarial, mostra valores e estórias da campanha vitoriosa de Barack Obama à presedência dos EUA. Escrito por Barry Libert, desenvolvedor de tecnologias Web 2.0, e Rick Faulk, executivo das áreas de tecnologia e marketing, o livro procura aplicar às estórias de bastidores da Campanha Obama ‘08 um desdobramento empresarial e mostrar de que forma podemos tirar como exemplo aspectos da estratégia Obama ‘08 ao dia a dia na construção de nossa vida profissional. De linguagem simples, livro recomendado para conhecer pontos dos bastidores da Campanha e complementar conhecimentos em marketing empresarial.