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	<title>daniellsantana.com &#187; Teoria do Sujeito</title>
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	<description>Diferencial competitivo em Marketing Político</description>
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		<title>II ETC_Manaus. Um rearranjo mental.</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Oct 2010 07:24:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Teoria do Sujeito]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[ETC Manaus]]></category>
		<category><![CDATA[Redes Sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Twitter]]></category>

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		<description><![CDATA[
Há cerca de um mês era realizado pela agência NoSensePromo, no Manaus Plaza Shopping, o II Encontro dos Twitteiros Culturais de Manaus, vulgo II ETC_Manaus. Ainda em tempo, vale aqui um registro.
Iniciativa das mais felizes do professor @sergiofreire (pesquisador UFAM/CNPq) o Encontro vai para além de um simples bate-papo entre twitteiros.  É puro reflexo da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://daniellsantana.com/wp-content/uploads/2010/10/160358955.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1393" title="160358955" src="http://daniellsantana.com/wp-content/uploads/2010/10/160358955.jpg" alt="" width="420" height="279" /></a></p>
<p>Há cerca de um mês era realizado pela agência NoSensePromo, no Manaus Plaza Shopping, o II Encontro dos Twitteiros Culturais de Manaus, vulgo II ETC_Manaus. Ainda em tempo, vale aqui um registro.</p>
<p>Iniciativa das mais felizes do professor <a href="http://twitter.com/sergiofreire" target="_blank">@sergiofreire</a> (pesquisador UFAM/CNPq) o Encontro vai para além de um simples bate-papo entre twitteiros.  É puro reflexo da nova sociedade em que vivemos, e aqui em terras barés possibilitou, e possibilita, um novo espaço de fala e, sobretudo, de encontro.</p>
<p>Os ETC&#8217;s são encontros já realizados em nível nacional, em diversas cidades e capitais. São marca de uma nova forma de comunicação surgida com as mídias sociais e difundida principalmente a partir da ferramenta <em>twitter</em>. Dinamismo, velocidade, precisão, impessoalidade [uma vez que na timeline <em>o dito</em> já não tem mais dono]  são características dessa nova comunicação. Esta que encontrou terreno fértil na sociedade manauara, uma sociedade falante, acima de tudo. Daí o sucesso do Encontro.</p>
<p style="text-align: left;"><a href="http://daniellsantana.com/wp-content/uploads/2010/10/161135917.jpg"><img class="size-medium wp-image-1387 aligncenter" title="161135917" src="http://daniellsantana.com/wp-content/uploads/2010/10/161135917-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a></p>
<p>Manaus tem um povo comunicativo, falante, ativo no ato de se relacionar com o outro. Não haveria dúvida alguma do sucesso de iniciativas como esta. É nesse ínterim que o ETC vem a funcionar como um catalizador, por onde passa o pensamento médio de parte da sociedade baré. Em meio a tanta gente, tanta diversidade e pontos-de-vista, política e socialmente falando, é um turbilhão de enunciados &#8211; esquizos e fluídos. Agindo como um novo local de comunicação, para além dos confetes comuns a todo tipo de aglutinação e algomeração populares, é possibilidade de desembrutecimento de uma sociedade que por mais falante que seja, não encontrava meios e mecanismos de expressão. Escolas falidas, Estado inoperante, Cultura &#8220;Oficial&#8221; centrista [não-periférica], Imprensa afônica, compõe, ou compunham, um cenário inóspito à comunicação política.</p>
<p>Das várias possibilidades de fala social, e política, o twitter [onde primeiramente se manifestou a <em>pontentia</em> para o ETC] veio a se mostrar, mesmo que através de poucas pessoas de uma classe mediana, a saída saudável desse material contido no inconsciente social. Assim, por mais que a população interneticamente ativa de Manaus ainda não seja a mesma de cidades do centro-sul do país, ficam a idéia e a certeza de que estas pessoas estão recriando o <em>ethos</em> social manauara e reconstruindo espaços de fala para além da territorialidade física.</p>
<p>Partícipes do <em>tecido social</em>, somos todos <em>atores sociais</em> dentro de diversos campos de ação, diversas esferas de poder-social. Somos todos professores, filhos, pais, médicos, maridos, esposas, advogados, políticos, estudantes, jornalistas, profissionais liberais, etc. de forma que o ETC cumpre seu papel de difusão cultural e sobretudo de re<em>arranjo mental</em> da sociedade, falando em termos marxianos. Lembrando sempre que para Marx a sociedade se move a partir de dois arranjos, o mental e o material &#8211; e mesmo que este último seja preponderante&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="../wp-content/uploads/2010/10/161141536.jpg"><img class="size-medium wp-image-1389 aligncenter" title="161141536" src="../wp-content/uploads/2010/10/161141536-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a></p>
<p style="text-align: left;">Com o advento das mídias sociais e dessa nova possibilidade de fala a partir dos blogs, orkuts, twitters dentre tantas outras ferramentas, vejo surgir um tempo de <em>comunicação periférica</em> e o ETC é filho deste tempo. Certo de que novos fenômenos e eventos deste porte ebulirão de dentro da sociedade para respirar à superfície é notório que novos tempos estão nascendo. Estejamos, a tempo, todos prontos para lidar com essa nova comunicação, pois, sucumbir é o destino certo de quem se opor.</p>
<p>Nesta segunda versão, a primeira ocorreu em fevereiro na Saraiva Megastore, o Encontro abordou a relação entre o Twitter e &#8220;Blogs&#8221;, &#8220;Sociedade&#8221;, &#8220;Comunicação&#8221; e &#8220;Política&#8221;. Quatro foram, portanto, as mesas para debates. Particularmente tive a honra de compor a mesa &#8220;Twitter e Sociedade&#8221; junto aos amigos <a href="http://twitter.com/doutorestranho" target="_blank">@doutorestranho, </a><a href="http://twitter.com/decosalgado" target="_blank">@decosalgado</a>, <a href="http://twitter.com/eduhonorato" target="_blank">@eduhonorato</a> e <a href="http://twitter.com/sandrobreval" target="_blank">@sandrobreval</a>. Digo sem sombra de dúvidas que é uma experiência das mais enriquecedoras. A troca de conhecimento e informação é estritamente construtiva, e a relação que se cria com outros sujeitos e enunciados é sempre ponte para novos pensamentos e modos de agir.</p>
<p><a href="../wp-content/uploads/2010/10/160402836.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1398" title="160402836" src="../wp-content/uploads/2010/10/160402836-300x210.jpg" alt="" width="300" height="210" /></a></p>
<p>Parabéns a todos os envolvidos e que venham mais ETC&#8217;s, para  bem de uma sociedade falante.</p>
<p>Abraços,<br />
D.</p>
<p>*Fotos do evento <a href="http://twitpic.com/photos/ETC_Manaus" target="_blank">clique aqui</a></p>
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		<title>Tempo Livre e o Homem contemporâneo.</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Sep 2009 09:04:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Teoria do Sujeito]]></category>
		<category><![CDATA[Domênico de Masi]]></category>
		<category><![CDATA[Sociologia]]></category>
		<category><![CDATA[Sujeito]]></category>

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		<description><![CDATA[Lá se vão quase dez anos em que li Domenico de Masi pela primeira  vez. Sua teoria do “Tempo Livre” chamou-me atenção de imediato. Eu,  aluno iniciante do curso de Ciências Sociais, da Federal do Amazonas,  via naquela sociologia do trabalho algo mais que uma teoria do trabalho. Na verdade o que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://daniellsantana.com/wp-content/uploads/2009/12/CIO_1_11.JPG"><img class="alignleft size-full wp-image-702" title="CIO_1_~1" src="http://daniellsantana.com/wp-content/uploads/2009/12/CIO_1_11.JPG" alt="" width="150" height="200" /></a>Lá se vão quase dez anos em que li Domenico de Masi pela primeira  vez. Sua teoria do “Tempo Livre” chamou-me atenção de imediato. Eu,  aluno iniciante do curso de Ciências Sociais, da Federal do Amazonas,  via naquela <em>sociologia do trabalho</em> algo mais que uma teoria do trabalho. Na verdade o que De Masi fala é sobre o sujeito contemporâneo e seus impasses.</p>
<p>A partir da leitura de <em>O Ócio Criativo</em> podemos identificar o  impasse desse sujeito contemporâneo ao criar algo, formas de relações  sociais, para logo depois ser consumido por sua criatura. Pois o homem  moderno cria a modernidade para em seguida se consumido por ela. Sim, o  livro é mais que um tratado de sociologia do trabalho, como já falei.  Fala sobre a velocidade com a qual o homem moderno constrói seu existir.  Uma velocidade que lhe rouba sua própria essência enquanto humano.</p>
<p>Lembremos que o humano se fez humano na medida em que se  sociabilizou. Uniu-se a outros seres de mesma espécie para lutar contra a  força da natureza e melhor dominar o seu ambiente. Porém, na medida em  que esse “humano” constrói sistemas que lhes melhoram e facilitam a  vida, esses mesmos sistemas lhes afastam dos outros seres. Donde surge a pergunta, ou quase consequência lógica: será que está esse humano se desumanizando?</p>
<p>Por hora, não quero misturar esse raiz de pensamento com o <em>niilismo</em> Nietzschiano, em que nos fica bem claro o preço que o homem paga por  ter se tornado “humano”, por ter traído a sua condição naturante e se  voltado contra a natureza. Afinal para Nietzsche o grande mal do homem é  ser<em> humano, demasiado humano</em>.</p>
<p>Porém, ao irromper neste caminho, o que me chama àtenção é essa <em>desumanificação do homem contemporâneo</em> (&#8220;pós-moderno&#8221;, como diria Lyotard). O tipo de sociedade que esse  humano construiu, a cada dia o afasta mais de si mesmo e do Outro como  referência. E na tentativa de suprir sua falta existencial com a  objetividade das coisas, deixa de lado a subjetividade das relações  sociais. É muita parafernália, muito “combo”, muitos canais de TV à  cabo, muita TV digital, etc. Muitas coisas superficiais para lhe ocupar o  tempo. Um tempo livre que, voltando à De Masi, poderia ser aplicado em <em>criatividade</em> e <em>afetividade</em>.</p>
<p>Para o sociólogo italiano um dos grandes paradoxos da vida moderna é  que somos educados, desde crianças, a uma vida estritamente voltado ao  trabalho, esse trabalho asfixiante, de certa forma ainda industrial, ou  no máximo pós-industrial. Passamos a vida inteira em escolas, colégios e  faculdades que nos ensinam a apertar parafusos e nos mantermos dentro  da caixa de possibilidades. Um trabalho ainda <em>alienado</em>, se  pensarmos em Marx. Mas a verdade é que não somos educados para  vivenciarmos a maior parte de nossas vidas, educados para o maior tempo  que dispomos, para o nosso “tempo livre”.</p>
<p>Em um mundo em que cada vez mais o trabalho e as atividades de massa  são robotizadas, e supridas através da tecnologia, o que fará o homem  com o seu tempo livre, se não foi para isso educado? Como modificar  formas-de-estar-no-mundo se nosso referencial ainda é o trabalho  alienado, se vivemos imersos num corre-corre que nos tira o tempo livre?  Como re-construir uma sociedade politizada, e politizante, se esta está  imersa na alienação tecnológica e tecnocrática?</p>
<p>Como disse, é muita parafernália.</p>
<p>Abraços,</p>
<p>D.</p>
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		<title>Do Olhar ao Desejo.</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Aug 2009 08:46:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Teoria do Sujeito]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Sujeito]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Quem olha deseja&#8221;. Através deste dito, que se dá como uma constatação, inicio análise sobre o olhar e o desejo, utilizando como fundo a linguagem lacaniana e alguns conceitos básicos em psicanálise. A análise do olhar aqui apresentada volta-se particularmente a questão da presença do Outro, enquanto ser a quem recorremos para nos fazermos existir, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://daniellsantana.com/wp-content/uploads/2010/10/Isso-Fala-8.jpg"><img class="size-medium wp-image-1433 alignright" title="Isso Fala 8" src="http://daniellsantana.com/wp-content/uploads/2010/10/Isso-Fala-8-216x300.jpg" alt="" width="216" height="300" /></a>&#8220;Quem olha deseja&#8221;. Através deste dito, que se dá como uma constatação, inicio análise sobre o <em>olhar</em> e o <em>desejo, </em>utilizando como fundo a linguagem lacaniana e alguns conceitos básicos em psicanálise. A análise do <em>olhar</em> aqui apresentada volta-se particularmente a questão da presença do <em>Outro,</em> enquanto ser a quem recorremos para nos fazermos existir, e de que forma nos fazemos presentes nesse <em>Outro</em>, vinculando sempre este <em>olhar</em> ao <em>desejo</em>.</p>
<p>O <em>olhar</em> deve ser visto como a forma mais original com a qual percebemos o  mundo, é através dele que buscamos o mundo e as pessoas, e também é  através dele que nos revelamos aos outros. Quando <em>olhamos</em> alguém nos damos a esse alguém que olhamos pela reciprocidade do nosso <em>olhar</em>, pois <em>olhar</em> implica retorno, reconhecimento. Olhar é também ser atingido pelo  outro, &#8220;olhar é ser-visto&#8221;, uma vez que o sujeito se constitui  primeiramente através do <em>olhar</em>, um <em>olhar</em> direcionado a  um outro. Ao olhar alguém identificamos nesse alguém algo, algo que nos  faz existir, que nos constitui enquanto ser. Assim, pode-se afirmar que  todo olhar tem uma <em>intencionalidade</em>, a de constituição do sujeito a partir do que se olha. Todo <em>olhar</em> visa algo e a uma descoberta, e assim, criamos uma relaçào com quem se está olhando, uma relação de <em>busca-de-si</em> através do outro, nesse jogo do olhar.</p>
<p>Essa busca, que não é um procurar qualquer, nem é preciso falar que se dá pela <em>falta</em>,  pela suspensão de algo originário retirado do sujeito quando este fôra  deslocado do desejo da mãe, através da intervenção paterna. Essa  castração simbólica ao deslocar o falo ao lugar do Outro, duplica a  marca da <em>falta</em> neste lugar destinado a esse Outro, instituindo  posteriormente através da linguagem um objeto a suprir esta falta, um  &#8220;objeto faltante&#8221;, um &#8220;objeto&#8221; causa do desejo. Então, percebe-se que o  desejo surge para o sujeito no momento em que este <em>objeto</em> <em>causa de seu desejo</em> passa a lhe <em>faltar</em>. É aí que surge a questão do <em>olhar.</em><br />
<em></em><br />
É pelo <em>olhar</em> que primeiramente buscamos esse algo que nos falta, esse &#8220;objeto faltante&#8221;, é pelo <em>olhar</em> que tentamos apreender o mundo no intuito de suprir essa falta. Porém  essa falta, que é causa inconsciente do desejo, é também condição  fundamental do ser, sendo que por isso o desejo não se pode satisfazer,  não cessa, apenas se desloca. Então, continuamos sempre a olhar, sempre  em busca, e sem preceber quando olhamos alguém estamos (re)construindo  uma relação para suprir essa falta.</p>
<p>Quando direciono o <em>olhar</em> a alguém, na verdade, não só passo a olhar esse alguém mas, sobretudo,  ESCOLHO esse alguém a quem olho. Não só por identificá-lo a meu objeto  faltante, como também por me fazer <em>ser-visto</em> por esse alguém,  de modo que a imagem refletida por esse outro me faça reconhecer-me em  mim mesmo. A unicidade do sujeito depende da imagem que me é ofertada  por esse Outro. Depende dessa relação de (re)conhecimento por esse  Outro, e é me alienando na imagem desse Outro, a partir de uma série de  identificações ideais, que posso me reconhecer. É por isso que o  enamoradamento sempre se dá por <em>identificação</em>, uma vez que quando <em>olhamos</em> o Outro também <em>somos-vistos</em> por esse outro e nos alienamos em seu desejo, regulando-nos a partir do signo do <em>reconhecimento</em>,  identificando nesse outro algo propriamente nosso mas que  paradoxalmente nos falta. Assim, quando se manda flores a uma mulher, ou  quando esta faz algo similar a um homem, não está se configurando aí,  como muitos pensam, uma relação originariamente dual, ainda não. O que  está em jogo é uma relação do <em>eu-em-mim</em> com um <em>eu-para-mim,</em> de quem se espera <em>reconhecimento</em> e que por identificação assume o papel do Outro, mas que na verdade é pura efetivação do DESEJO.</p>
<p>Nesse tipo de relação o reconheciemnto vindo desse Outro é o que realmente se espera.</p>
<p>O <em>olhar</em>, esse olhar que é voltado ao Outro, visa apreender esse ser, primeiramente imaginário, que antes chameir de <em>eu-para-mim</em>,  pois é nele que encontram-se todas as nossas expectativas de nos  constituirmos no mundo e de suprirmos nossa carência original, nossa <em>falta</em>, fazendo dele assim, um objeto que colocamos no lugar do &#8220;ideal-do-eu<em>&#8220;.</em> É que por consequencia disso que se vive em razão de seu reconhecimento, visto que é por esse olhar do <em>Outro</em> que eu me reconheço.</p>
<p>Só que, este investimento libidinal do &#8220;eu ideal&#8221; para com a imagem projetada no Outro, naquele outro lugar, é <em>incompleto</em>. Parte da libido permanece ligada a unidade do eu originário, caracterizando assim , na experiência amorosa, <em>a falta</em> à imagem amada, projetada no Outro. É então que o objeto amado dá-se a partir dessa <em>falta</em>, e o <em>objeto causa do desejo</em> responderá justamente a esse lugar, a essa <em>falta</em>. Sendo porém que como o <em>desejo</em> não cessa, é deslocamento constante, o <em>objeto causa de desejo</em> &#8211; objeto tido como o objeto do Amor &#8211; não se dá a apreender. Logo, o  Amor é uma espécie de vazio constante, uma inscrição de algo volátil em  um lugar da falta &#8211; mesmo que muitos ainda acreditem e creditem suas  vidas na existência de tal sentimento.</p>
<p>Vê-se então que o olhar  nada mais é do que a &#8220;superfície do desejo&#8221;, como diria Sartre, pois que  &#8220;é pelo olhar que o desejo se manisfesta&#8221;.</p>
<p>Utilizando uma  linguagem mais simples, pode-se dizer que nós nos buscamos através do  outro, mesmo que para isso seja preciso entrar numa questão de ordem  narcísica como dado estrutural do sujeito, pois sabe-se que o sujeito se  constitui a partir da relação com sua própria imagem. Talvez sendo por  isso que &#8220;a escolha do objeto seja sempre uma escolha do objeto  narcísico&#8221;.</p>
<p>O olhar não deve ser entendido como simples aparição banal das coisas no campo de nossa percepção visual, pois acima de tudo <em>olhar</em> é também <em>ser visto</em>.</p>
<p>Observamos  que o conteúdo aqui analisado é, se muito, apenas de caráter elementar  sobre algo que já foi há muito dito em psicanálise mas, o que está  valendo é a tentativa de (re)lembrar às pessoas o significado que tem o <em>olhar,</em> e como ele se liga ao desejo.</p>
<p>Abraços,<br />
D.</p>
<p><em><strong>* artigo originalmente publicado no periódico ISSO FALA, dos alunos do curso de Psicologia da UFAM, em julho de 2003.</strong></em></p>
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