Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina.

Eleições e Internet: algumas diferenças entre Obama’08 e Brasil’10

Terminada a Eleição fiquei de, sobre ela, escrever e fazer algumas considerações. Inicialmente estratégia política e as diversas formas com que o marketing político foi utilizado seriam o carro-chefe. Em tempo, ontem conversando com um amigo parlamentar surgiu o twitter em pauta. Sobre como ele foi utilizado nesta Eleição e se teve bom proveito, ou não. Antes então de analisar a ferramenta Twitter em-si, vamos a algumas considerações sobre o uso da internet nesta Eleição, se comparado com a revolução que foi Obama’08.

À princípio, muitos, digo, muitíssimos atores políticos – candidatos e pessoal de staff – se mostram descontentes, desacreditados, ou decepcionados com o Twitter como ferramenta de campanha eleitoral. Não raro ouço dizer sobre Obama’08. E logo vêm aos montes comparações. Comparações até certo ponto supreendentes e incabíveis, visto serem realidades extremamente distintas.

Sociológicamente são dois arranjos sociais de universos antagônicos. O Norte-americano com sua moral ortodoxa, seu culto ao quantitativo, seu vínculo social e político já enraizado, sua cultura segregadora – ainda que disfarçada de modernidade, seu engajamento polítco em causas de grupos, etc. E do lado daqui, o Brasileiro, quase que o inverso total. Uma cultura multifacetada, multiformas de arranjos micro-regionais, uma sociedade ainda em plena formação, permissiva e descompromissada com a causa pública, e assim por diante.

Enquanto norte-americanos escreveram sua história à ferro e fogo, a nossa Independência foi o que foi, lider montado em burrito às margens de um riacho. Enquanto por lá toda sua História já formou uma Identidade de nação, aqui, nossa diversidade e falta de “pontos-de-basta” históricos nos fazem reféns de um circuito onde “tudo pode”. Permanecemos ainda em busca de nossa Identidade de povo e nação. Em busca de nossa “identidade parental”, falando em termos psicanalíticos – afinal, mal nos assumimos como filhos bastardos de uma cultura falida que veio se refugiar em Terras de Além-mar.

Ainda nos falta essa tal Identidade para bem nos comprometermos com a coisa pública, pois, para tanto é preciso sair do locus individual de ser-assujeitado, sair  de si, e tornar-se sujeito de fato, escritor de sua própria história. Ver-se a partir de um novo olhar. Como parte de um todo – de um povo, de uma nação.

A internet funcionou lá principalmente devido ao arranjo mental e social daquele povo. Devido ao ordenamento social com que eles se agrupam.

Já em termos práticos, funcionou dentre outros aspectos de métrica e método, principalmente devido à importância que eles dão ao fator “controle”. Tudo é catalogável. O sentido de grupo-nação é tão enraizado que o sujeito se assujeita a ser coisificado e transformado em número. Em coisa. Ser catalogado, com uma tag. O “controle” é premissa básica.

Em Obama’08 o agrupamento de dados (controle) para a campanha eleitoral se iniciou dois anos antes, ainda em 2006. Enfatizo que falo de “controle de dados para Campanha”, necessariamente para a Campanha, visto que os dados da sociedade em geral já são agrupados de forma muito mais eficiente que no Brasil. Ou seja, Obama’08 NÃO foi campanha de três meses. Não houve milagre. Houve trabalho. Método. Estratégia.

O nível de precisão era tanto que, a partir dos dados cadastrados em sistemas, o eleitor podia saber se na sua rua tinha mais algum filiado ou simpatizante do partido Democrata. O cidadão sabia quem eram e onde estavam em seu bairro localizados os comitês para se juntar voluntariamente a eles. Aliás, esse trabalho voluntário é típico das sociedade deles. E assim, tantas outras ações só foram possíveis devido a um criterioso trabalho nos dois anos anteriores à eleição.

Um ótimo sistema de dados, um arranjo social peculiar, o momento histórico de então, a conjuntura de mudança, tudo isso gerenciado com profissionalismo (lembram do Controle? essa variável tem vertentes que geram o arquétipo do “profissionalismo”) e estratégia pontuais fizeram de Obama’08 algo único. Não comparável a nada. Principalmente com nada produzido por aqui.

No Brasil, nosso arranjo social é individualista, não temos identidade de povo-nação, nossa cultura é mais que plural e o mais importante, voltando ao marketing político: políticos ainda fazem “campanha de três meses”!

Sem método, sem trabalho, sem estratégia, digo: o problema não está na internet.

Abraços,
D.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Categoria: Marketing Político

Tags:

Sobre o autor: é Filósofo, estudioso em Psicanálise, graduando em Ciências Sociais e, Publicidade e Propaganda. Profissionalmente atua em Consultoria Política nas áreas de Branding Político, Análise do Discurso e Planejamento Estratégico.

RSSComentários (0)

Trackback URL

Deixe seu comentário