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Glândula timo e partidos políticos.

No meio do peito, atrás do esterno e colada ao coração, bem no local onde apontamos quando falamos “eu”, existe uma glândula de importância vital para os seres humanos: a glândula timo. Nome de origem grega, thymus significa energia vital. A glândula era até pouco tempo negligenciada pela medicina.  Desconhecida por muitos, tem características de crescer quando estamos contentes, e murchar quando estressados, e mais ainda quando adoecemos. Por sempre ter sido estudada em autópsias era encontrada em tamanho bem diminuto, fazendo a medicina de décadas passadas supor que a glândula atrofiava na adolescência.

Mas por entre tantas funções, destaco aqui uma em especial: a glândula timo é responsável pelo registro genético de nossas células, sendo um dos pilares de nosso sistema imunológico. É nela que se produz a “célula T”.  A célula ao passar pelo timo recebe nosso registro de identidade genética. De posse desse registro a “célula T” assume a missão de identificar “corpos estranhos” no organismo, invasores, vírus, etc. Então, ao encontrá-los, argui-los e, se for o caso, acionar os mecanismos de defesa do organismo contra aquele invasor.

Acontece que, mais importante é o fato de ser a célula T responsável por nossa, digamos que, “evolução” biológica. Ao que pese o viés biologicista, não muito a mim peculiar, o exemplo aqui é salutar, pois, o que vem a ser um “corpo estranho”, um “invasor” em um sistema, senão algo que nos força a mudanças?

Imaginem vocês agora um diálogo entre uma célula T e um “invasor”. A célula T, de posse da identidade genética do indivíduo, diz: “Auto, quem é você? Você não é um dos nossos! Retire-se ou chamarei os leucócitos”. Eis que “o invasor” responde: “Calma companheira! Não sou um simples invasor. Sou um mensageiro. E vim lhes dizer que o mundo lá fora é diferente. Se vocês não se adaptarem, morrerão”.

Pronto! Está posta a evolução biológica do ser humano – um simples caso de adaptabilidade ao meio. A verdade é que não são [só] os “mais fortes que sobrevivem”, mas sim os “mais aptos”. Adaptar-se é a regra número um dos seres humanos.

Escrevo isto ao acabar de rever um programa televisivo da ManagemenTV sobre a empresa de consultoria Thymus Branding - consultoria estratégica, e também empolgado com a leitura do livro recém adquirido “A Estratégia de Barack Obama”, em que os autores detalham pontos da estratégia vitoriosa de Campanha Eleitoral à presidência de Obama. E ao ler e ter contato com este tipo de material, cada vez mais tenho a convicção de que a política está mudando. Aliás, já mudou! A eleição de Obama é marco divisor. Isto é fato! Política é algo profissional, cada vez mais profissional. A cada dia que passa tem um livro novo a ser lido, uma análise a ser feita, uma estratégia a ser lançada, metas, planejamento, internet, interatividade, webTV, etc. Tudo, exatamente tudo em política esta sendo profissionalizado. A política velha está cheia de “corpos estranhos”. E quem não se adaptar, ficará para trás.

Penso ser chegada a hora dos partidos políticos, e demais instituições políticas, colocarem sua glândula timo pra funcionar, e reconhcerem como o “meio externo” mudou, como a sociedade mudou – para mudarem junto, adaptarem-se, tornarem-se definitivamente “aptos”, pois que “só os mais aptos sobrevivem”.

Abraços,

D.

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Categoria: Marketing Político

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Sobre o autor: é Filósofo, estudioso em Psicanálise, graduando em Ciências Sociais e, Publicidade e Propaganda. Profissionalmente atua em Consultoria Política nas áreas de Branding Político, Análise do Discurso e Planejamento Estratégico.

RSSComentários (4)

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  1. Andrei says:

    ótimo site Daniel, parabéns, os textos são muitos elucidativos e informativos.

    • Daniel says:

      Obrigado Andrei. E aproveito para pedir desculpas pelo janeiro sem postar, ainda bato cabeça para concluir funcionalidades do site. Mas voltaremos esta semana e conto com tua participação. Neste novo mundo comunicacional é importante interagirmos, sempre. Abraços.

  2. Purillo says:

    A maior verdade é que os Partidos Políticos são instituições atrasadas. E por representarem uma classe interna de próprios interesses, e não a população, escolhem ficar na mesmisse. Os partidos não são agremiações coletivas, são extensões de interesses privados. Esse “invasor” que tu citas aí no artigo é visto como algo ameaçador mesmo, e não como expressão do meio social. Os partidos preferem o “bajulador” ao “invasor”. E com todo aval de seus líderes, pois é assim que o ciclo vicioso da política se perpetua.

    • Daniel says:

      Sim, perfeitamente. E o que mais me chama àtenção é a possibilidade de crise de representatividade decorrente disso. Se fechar à sociedade é tudo que as instituições não podem fazer, sob pena do fracasso do próprio sistema e modelo de arranjo social. Grande abraço.

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